IST MAQ completa 40 anos aproximando ciência e indústria para enfrentar desafios da sustentabilidade

Notícias23/07/2026
Com debates sobre emissões, águas, efluentes e resíduos, encontro destacou como a inovação aplicada pode transformar desafios ambientais em oportunidades para a indústria
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A história do Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química (IST MAQ) é marcada pela busca por soluções capazes de aproximar conhecimento técnico e desafios reais da indústria. Essa trajetória foi celebrada nesta quinta-feira (23), em Curitiba, durante o Momento Inovação Senai IST MAQ – 40 anos: Desafios e Oportunidades para a Sustentabilidade Industrial, evento que reuniu representantes do setor produtivo, pesquisadores e especialistas para discutir caminhos mais eficientes e sustentáveis para a indústria.

Mais do que comemorar quatro décadas de atuação, o encontro apresentou resultados de uma trajetória construída com base em pesquisa aplicada, inovação e parceria com empresas. Ao longo da programação, foram debatidos temas que hoje influenciam diretamente a competitividade industrial, como redução de emissões atmosféricas, eficiência no uso da água, tratamento de efluentes, reaproveitamento de resíduos e economia circular.

Na abertura do evento, o gerente sênior de Tecnologia e Inovação do Senai Paraná, Fabiano Scheer Hainosz, destacou a importância do Instituto para a construção de soluções voltadas ao setor produtivo e ressaltou o impacto das pessoas que fizeram parte dessa história.“Quando entrei no Senai, em 2022, vim para o Instituto SENAI de Tecnologia em Meio Ambiente e Química e fui muito bem recebido desde o primeiro dia. Mesmo sendo engenheiro cartógrafo e trabalhando ao lado de muitos químicos e engenheiros químicos, encontrei uma equipe extremamente colaborativa, comprometida e focada em resolver os desafios da indústria”, afirmou.

Segundo Fabiano, a força da instituição está diretamente relacionada ao propósito de transformar conhecimento em resultados para a sociedade. “O SenaiI existe para fortalecer a indústria, aumentar sua competitividade e melhorar a vida das pessoas por meio do desenvolvimento industrial. Ao celebrar os 40 anos do Instituto, reconhecemos uma trajetória marcada por pesquisa, inovação e serviços que continuam apoiando a indústria.”

Redução de emissões e viabilidade operacional

Um dos principais debates do encontro foi relacionado à descarbonização, tema que vem ganhando espaço nas estratégias empresariais diante das novas exigências de mercado e compromissos ambientais.

Durante o painel sobre emissões atmosféricas, representantes da Mineração São Judas apresentaram a experiência da empresa na construção de um plano para redução dos gases de efeito estufa. O trabalho envolveu um diagnóstico amplo da operação, considerando desde atividades de menor impacto, como o consumo de gás no refeitório, até equipamentos de grande porte utilizados na movimentação da planta.

O levantamento permitiu identificar oportunidades de redução de emissões, mas também mostrou que a transição para uma indústria de menor impacto ambiental exige planejamento e análise técnica.“A descarbonização traz muitas oportunidades, inclusive de redução de custos, mas também exige planejamento e investimento inicial. Nem sempre a solução mais óbvia é a mais adequada. A eletrificação de equipamentos, por exemplo, precisa considerar tecnologia disponível, viabilidade econômica, infraestrutura e a realidade de cada operação”, explicaram os representantes da empresa.

A iniciativa também auxiliou a mineração na definição de prioridades e metas para diferentes horizontes de tempo. Segundo a empresa, compreender o estágio atual e estabelecer uma estratégia de avanço é fundamental para uma transformação consistente.“A descarbonização deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade, impulsionada pelas exigências do mercado, certificações e compromissos ambientais. O projeto nos ajudou a entender onde estamos, quais são os próximos passos e como podemos avançar de forma estruturada nessa transformação.”

Pesquisa aplicada x novas oportunidades

Além dos debates técnicos, o evento apresentou exemplos de como a pesquisa desenvolvida pelo IST MAQ pode gerar soluções práticas para empresas.Um dos projetos destacados envolveu uma indústria que enfrentava problemas recorrentes de incrustação por estruvita em suas tubulações. A partir de estudos realizados pela equipe técnica do Instituto, foi possível desenvolver uma alternativa para recuperar o composto e utilizá-lo como fertilizante de liberação lenta.

A solução transformou um problema operacional em uma possibilidade de reaproveitamento de recursos, demonstrando como a inovação pode contribuir simultaneamente para ganhos ambientais e econômicos.

Para a coordenadora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do IST MAQ, Gleiciane Blanc, apresentar iniciativas como essa durante a celebração dos 40 anos reforça a importância da aproximação entre ciência e indústria.“O evento também foi uma oportunidade para apresentar uma mostra dos projetos de pesquisa desenvolvidos pelo Instituto e compartilhar um pouco da nossa trajetória ao longo dessas quatro décadas”, destacou.

Ela explica que a programação foi estruturada para promover uma troca de conhecimento entre diferentes atores do ecossistema industrial. “Foi um momento muito importante para celebrar os 40 anos do Instituto, fortalecer a conexão com a indústria e compartilhar experiências e novidades que podem contribuir para tornar o setor cada vez mais sustentável e competitivo.”

Gestão de água e resíduos

Outro ponto central da programação foi a gestão de águas, efluentes e resíduos industriais. Embora muitas tecnologias já estejam disponíveis no mercado, o desafio para diversas empresas ainda está na aplicação eficiente e na manutenção dos sistemas ao longo do tempo.

O pesquisador do IST MAQ, Ricardo Gonçalves de Morais, destacou que a sustentabilidade desses processos depende de uma combinação entre tecnologia e gestão.“Muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para aplicar as tecnologias disponíveis de forma eficiente. Um exemplo é a remoção de matéria orgânica, que possui soluções técnicas consolidadas, mas continua sendo um desafio para muitas organizações”, explicou.

Segundo ele, as mudanças regulatórias e a evolução das exigências ambientais devem acelerar uma nova visão sobre esses recursos. Em vez de representar apenas custos operacionais, resíduos e efluentes podem se transformar em fontes de valor.“Cada vez mais, demonstramos que resíduos e efluentes podem gerar valor. Existem oportunidades para recuperar materiais, reaproveitar recursos e transformar aquilo que antes era encarado apenas como um custo em novas fontes de eficiência, inovação e até de receita para a indústria.”

Parceria, conhecimento técnico e troca de experiências

A comemoração também resgatou a contribuição de profissionais que ajudaram a construir a trajetória do Instituto. Entre eles estava a engenheira química Rosângela Handa, que trabalhou durante 30 anos no IST MAQ e acompanhou sua evolução desde a antiga Escola Técnica de Saneamento.

“Foi uma alegria muito grande participar dessa comemoração e perceber que tudo aquilo que começamos a construir lá atrás continua vivo. Tenho a sensação de que aquela pequena semente plantada há tantos anos cresceu e continua dando muitos frutos”, afirmou.

Para Rosângela, o papel do Instituto permanece essencial diante da complexidade crescente dos processos produtivos.“Muitos dos problemas que existiam há 30 anos ainda permanecem, mas hoje surgem em um contexto muito mais complexo. Os processos industriais evoluíram, novos materiais passaram a ser utilizados e os efluentes e resíduos apresentam características cada vez mais desafiadoras.”

Segundo ela, a atuação do IST MAQ está justamente em conectar conhecimento e aplicação prática. “O Instituto aproxima conhecimento, pesquisa e tecnologia das necessidades da indústria, contribuindo para que as empresas sejam mais sustentáveis e competitivas.”

A programação também contou com a participação de empresas que destacaram o valor da troca de informações promovida pelo evento.

O analista ambiental da Alcast do Brasil, Diego Chaves, ressaltou que os debates contribuíram para ampliar a visão das empresas sobre desafios ambientais e novas tecnologias.“Os painéis abordaram temas extremamente relevantes, como gestão de resíduos e emissões atmosféricas, que continuam sendo grandes desafios para a indústria. Esses momentos permitem a troca de experiências entre empresas e especialistas, além de apresentar novas tecnologias e soluções.”

Já o analista comercial da Envex Engenharia e Consultoria, Jefferson José Pereira, destacou a relevância das discussões sobre emissões atmosféricas e descarbonização.“Foi muito interessante conhecer diferentes perspectivas e trocar experiências sobre um tema tão importante para a indústria. Também foi um momento de celebrar a trajetória do Instituto, fortalecer conexões e acompanhar as discussões sobre os desafios e tendências da área ambiental.”