Inovação energética como estratégia de negócios marca primeiro Momento Inovação Senai de 2026

Notícias24/03/2026
Evento no Habitat Mobilidade destacou soluções em eletrificação, armazenamento e diversificação da matriz energética
Imagem sobre Inovação energética como estratégia de negócios marca primeiro Momento Inovação Senai de 2026

O debate sobre geração e armazenamento de energia como vetor de competitividade industrial marcou a estreia do primeiro Momento Inovação Senai, realizado nesta terça-feira no Habitat Mobilidade, ambiente que integra o Parque Tecnológico da Indústria. Com foco em soluções energéticas estratégicas para o setor produtivo, o encontro reuniu especialistas, empresas e profissionais da indústria para discutir tendências, oportunidades e os desafios da transição energética no Paraná.

A abertura técnica ficou por conta de Heverson Renan de Freitas, coordenador e pesquisador em Smart Energy no Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, que apresentou as competências do instituto e detalhou como o Senai Tecnologia e Inovação pode apoiar empresas na tomada de decisão sobre novas tecnologias.

Análise da viabilidade técnica, econômica e ambiental

“O Senai Tecnologia e Inovação, por meio dos seus institutos, pode justamente apoiar e avaliar a implementação de uma nova tecnologia antes que a indústria faça esse investimento de forma definitiva. Nós desenvolvemos projetos de inovação nos quais analisamos a viabilidade técnica, econômica e ambiental de determinada solução. E, talvez o mais importante, conseguimos acessar mecanismos de fomento. Ou seja, o risco financeiro do desenvolvimento de um projeto acaba sendo compartilhado com instituições públicas, como o próprio Senai e a Embrapii, entre outras. Esses órgãos subsidiam parte dos custos, reduzindo significativamente o risco para a empresa que deseja inovar”, destacou.

Segundo ele, a decisão sobre qual tecnologia adotar depende diretamente das características de cada operação industrial. Em cenários de alto consumo energético, por exemplo, a energia solar já se mostra cada vez mais acessível, inclusive com possibilidade de aquisição em horários de menor custo. O uso de hidrogênio de baixa emissão no processo produtivo também surge como alternativa estratégica — ainda que, em alguns casos, represente um insumo mais caro — por contribuir para a redução de paradas de manutenção e aumento da disponibilidade operacional. Já os sistemas de armazenamento permitem deslocar o uso da energia gerada em horários de maior produção, como ao meio-dia no caso da solar, para períodos de maior consumo e tarifa elevada, como no início da noite. “É essencial avaliar caso a caso para entender qual solução faz mais sentido para cada modelo de negócio e para cada realidade industrial”, reforçou.

Matriz energética e alternativas inovadoras

Na sequência, o painel “Geração e Armazenamento de Energia: Tendências e Oportunidades para a Indústria” reuniu Wagner Roberto Adolfato, gestor comercial da NexoMobi, e Bárbara Bulhões Cazula, pesquisadora de PD&I na Protium Dynamics. A mediação foi conduzida por Valério Mendes Marochi, consultor de Negócios de Inovação no ISI Eletroquímica.

“O nosso painel de hoje, aqui no Parque Tecnológico da Indústria, teve como temática a gestão e o armazenamento de energia, focando nas novas tecnologias, nas novas tendências do mercado e em tudo o que nós temos conseguido conectar e congregar de indústrias, startups, iniciativas do governo, da própria federação e, principalmente, do setor de inovação do Senai, voltado para movimentar esse mercado dentro do estado e trazer mais competitividade industrial e também capacitação profissional”, afirmou.

Valério destacou que a presença das empresas trouxe dois cenários distintos e complementares: de um lado, a eletrificação e o armazenamento integrados à mobilidade; de outro, a integração de soluções com hidrogênio, incluindo a mescla com motores a combustão já adaptáveis às tecnologias diesel e hidrogênio, além da transição para frotas totalmente movidas a hidrogênio, especialmente no transporte comercial e de carga. Segundo ele, a proposta é fortalecer o debate e evidenciar os desafios que precisam ser superados nos próximos anos para acelerar o desenvolvimento do setor.

Entre os participantes, William Endo, analista de Qualidade na KUHN Group, destacou a relevância estratégica do encontro para a indústria. Com trajetória acadêmica e mestrado em Química, ele ressaltou o valor da aproximação entre pesquisa científica e aplicação prática no chão de fábrica.

“Eu já participei de outros momentos de inovação aqui no Senai, com diferentes temáticas, e sempre considero encontros muito interessantes. Venho da academia, sou mestre em Química, então valorizo bastante essa conexão entre a ciência e a aplicação prática na indústria. Para mim, é muito relevante acompanhar o que há de novo no mercado, entender quais avanços são resultado de pesquisa científica e conhecer as contribuições inéditas que os institutos do Senai estão trazendo para o setor produtivo”, afirmou.

Segundo ele, a temática desta edição dialoga diretamente com os desafios atuais da indústria. “Além da questão ambiental, que segue como uma demanda crescente e prioritária, na  KUHN estamos conduzindo diversos projetos voltados à redução de custos. Por isso, discutir matriz energética e alternativas inovadoras faz todo sentido para a nossa realidade.”

Endo ressaltou ainda que, no segmento de máquinas agrícolas, tradicionalmente dependente do diesel, conhecer soluções como a incorporação do hidrogênio e outras estratégias de diversificação energética amplia horizontes técnicos e estratégicos. “No nosso caso, por exemplo, as máquinas agrícolas são movidas a diesel. Então, conhecer possibilidades como a incorporação de hidrogênio e outras soluções para diversificação energética foi extremamente interessante. Participar do evento foi muito valioso para entender essas novidades e avaliar como elas podem ser aplicadas nos projetos que desenvolvemos e discutimos internamente no dia a dia.”