Inovação do Senai PR leva recarga emergencial a veículos elétricos durante a Operação Verão

Notícias13/02/2026
Projeto entra na segunda fase e testa mobilidade, segurança e compatibilidade com diferentes modelos de carros elétricos
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O avanço dos veículos elétricos no Brasil contrasta com a velocidade de expansão da infraestrutura de recarga, especialmente nas rodovias e em períodos de grande fluxo. Para enfrentar esse desafio, uma van elétrica equipada com um carregador veicular móvel passa a operar no litoral do Paraná durante a Operação Verão, oferecendo atendimento emergencial a motoristas até o fim do mês.

A solução foi desenvolvida pelo Senai Paraná, por meio do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, em parceria com as empresas Egnex e NexoMobi, com fomento da Embrapii e do Sebrae e, agora, conta com o apoio da EPR, responsável pela validação em campo da tecnologia.

O projeto chega agora à sua segunda fase de desenvolvimento. Na etapa inicial, foi desenvolvido e validado o protótipo do carregador veicular. Agora, a solução passa a ser embarcada em uma van elétrica para testes em condições reais de operação, permitindo avaliar desempenho, segurança e eficiência em atendimentos ao longo das rodovias, especialmente em deslocamentos no litoral e no retorno à base.

O principal diferencial da solução está na mobilidade. Embora tecnicamente o equipamento tenha características semelhantes às de um carregador convencional, ele pode ser levado até o veículo elétrico que sofreu pane, ampliando significativamente as possibilidades de atendimento emergencial. O protótipo já está validado, e o desafio desta fase é avaliar a comunicação do carregador com diferentes modelos de veículos elétricos, etapa que está sendo desenvolvida com a participação da EPR. Em termos de maturidade tecnológica, o sistema está praticamente pronto para o mercado.

Carga suficiente para chegar ao próximo ponto de serviço

Todos os critérios de segurança exigidos para carregadores convencionais foram atendidos. O equipamento conta com um banco de baterias de 50 kWh, capaz de fornecer energia para recargas rápidas em situações emergenciais — em cerca de dez minutos, o veículo pode receber carga suficiente para chegar ao próximo ponto de serviço ou ponto de recarga.

Durante o período de testes, serão coletados dados sobre a compatibilidade do sistema com diferentes modelos de carros elétricos, além da autonomia da van que transporta o equipamento. Por se tratar de um protótipo, o conjunto tem peso aproximado de uma tonelada, fator que também será analisado quanto ao impacto no desempenho e na autonomia do veículo em deslocamentos mais longos. A operação em campo também permitirá observar o comportamento do sistema diante de trepidações, movimentações e da dinâmica real de uso na estrada.

Para a concessionária EPR, a iniciativa responde a uma demanda concreta dos usuários. Segundo Fernando Milléo, gerente de operações da empresa, o carregador móvel amplia a capacidade de atendimento em situações críticas. “Os veículos elétricos já fazem parte da nossa realidade, mas a infraestrutura ainda não acompanha a velocidade dessa transição. Estamos falando de usuários na estrada, de pessoas que podem precisar de assistência em situações críticas. Essa parceria nasce exatamente dessa necessidade: oferecer suporte. Com o carregador móvel, conseguimos prestar atendimento rápido e seguro a quem ficou sem carga, permitindo que o motorista chegue ao próximo ponto de serviço e saia de uma situação que pode ser desconfortável ou até perigosa”, afirma.

Do ponto de vista técnico e estratégico, o projeto representa um avanço importante para a mobilidade elétrica no país. De acordo com o pesquisador Guilherme Panini, do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica, a atual fase é decisiva para consolidar a solução. “Neste momento, o foco principal é a validação da solução em condições reais de operação, avaliando desde a comunicação com diferentes modelos de veículos até o comportamento do sistema embarcado na van. Ao mesmo tempo, essa etapa funciona como uma vitrine tecnológica. Já é uma validação importante para avançar em maturidade e pensar na ampliação da iniciativa em escala maior, aproximando a solução do mercado”, explica.