Encontro no Habitat Mobilidade destaca biometano como solução para reduzir emissões

A transição energética no transporte coletivo brasileiro deixou de ser apenas um debate conceitual para se consolidar como prioridade nas agendas públicas e empresariais. Em Curitiba, o tema esteve no centro do encontro “Café, Conteúdo e Conexões”, promovido pelo Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), no Habitat Mobilidade.
O evento reuniu cerca de 50 participantes, entre gestores públicos, operadores do transporte coletivo e representantes da indústria, para discutir alternativas energéticas aplicáveis à realidade das cidades brasileiras, com foco na descarbonização do transporte de passageiros. A mediação foi conduzida por Fábio Alexandre Siebert, conselheiro do IBETA.
Durante o debate, Siebert destacou o papel do instituto como articulador entre inovação tecnológica e viabilidade prática. Em parceria com empresas do setor, o IBETA desenvolve metodologias para apoiar municípios na estruturação de modelos técnicos, jurídicos e financeiros voltados à adoção de soluções sustentáveis, incluindo mecanismos como créditos de carbono e novos formatos de financiamento.
Viabilidade econômica e redução de emissões
A discussão reforçou que a transição energética exige mais do que tecnologia. Governança, uso estratégico de dados e contratos bem estruturados são apontados como fatores determinantes para garantir desempenho e qualidade na prestação dos serviços públicos. No campo da mobilidade urbana, a ausência de planejamento orientado por dados ainda resulta em distorções operacionais, como superlotação em horários de pico e ociosidade em outros períodos, impactando custos e eficiência do sistema.
Entre os convidados, estiveram o diretor comercial da Agrale, Edson Ares Sixto Martins, e a vice-presidente da CWBUS, Sueli Gulin Calabrese, representante das empresas operadoras do transporte coletivo da capital paranaense. A troca de experiências evidenciou a necessidade de soluções que conciliem viabilidade econômica, eficiência operacional e redução consistente de emissões.
Um dos destaques do encontro foi a apresentação de um ônibus movido a biometano, desenvolvido pela Agrale e já em operação em cidades brasileiras. O combustível é produzido a partir de resíduos orgânicos, convertendo passivos ambientais em fonte de energia renovável. Além da redução significativa de poluentes, a tecnologia pode gerar economia operacional, especialmente diante da volatilidade dos combustíveis fósseis.