Brasil avança em baterias de estado sólido com protótipo desenvolvido pelo ISI Eletroquímica, Voltpile e Petrogal Brasil

Notícias12/03/2026
Novo protótipo de 122 volts reforça a soberania tecnológica brasileira em armazenamento de energia e mobilidade elétrica
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O desenvolvimento de baterias de lítio totalmente em estado sólido no Brasil acaba de atingir um novo patamar. Após uma primeira etapa focada na validação da tecnologia, o projeto em parceria entre Voltpile, Senai PR, a Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec), ANP e Embrapii alcançou um marco inédito na América Latina: a construção da primeira bateria de estado sólido com configuração bipolar operando a 122 volts.

Da prova de conceito ao sistema em alta tensão

Quando o projeto foi apresentado publicamente, em 2024, os esforços estavam concentrados no desenvolvimento e validação de uma bateria de estado sólido funcional de baixa tensão (3,7 volts). Desde então, a evolução foi significativa.

O novo protótipo desenvolvido possui 24 cm² de área ativa e adota a arquitetura bipolar, uma configuração considerada estratégica para aplicações que exigem alta densidade energética e maior tensão, como mobilidade elétrica e sistemas avançados de armazenamento de energia. Atingir 122 volts em uma bateria de estado sólido representa um avanço expressivo, especialmente em um estágio ainda pré-industrial, e posiciona o projeto entre os mais avançados da América Latina nesse tipo de tecnologia.

Impacto tecnológico e estratégico

As baterias de estado sólido são amplamente reconhecidas como uma das tecnologias mais promissoras para o futuro da eletrificação, por eliminarem o uso de eletrólitos líquidos inflamáveis e oferecerem maior segurança operacional. Além disso, o empilhamento de uma bipolar reduz a quantidade de materiais inativos, como a fiação e o invólucro, e pode diminuir as perdas resistivas, o que traz benefícios tanto para aumentar a densidade de energia quanto para a redução de custos de materiais e produção. A adoção da arquitetura bipolar amplia ainda mais esse potencial, aproximando a tecnologia de aplicações reais em setores estratégicos.

O avanço alcançado pelo projeto reforça a capacidade da indústria e da ciência brasileiras de atuar na fronteira tecnológica do armazenamento de energia, reduzindo dependências externas e criando bases sólidas para inovação nacional em eletrificação, mobilidade e transição energética.

Próxima etapa

Com o sucesso do primeiro protótipo bipolar, o projeto entra agora em uma nova fase. Os pesquisadores trabalham no aumento da área ativa da bateria, com o objetivo de desenvolver um novo protótipo de 122 volts com 72 cm². Esse avanço se traduz em um aumento de capacidade, mantendo os requisitos de segurança, estabilidade eletroquímica e desempenho elétrico.

Essa etapa é considerada essencial para a consolidação da tecnologia, pois envolve desafios adicionais relacionados à homogeneidade dos materiais e à integridade mecânica.

Segundo Marcos Berton, pesquisador-chefe, “o resultado da pesquisa aplicada dessa parceria representa um salto de soberania tecnológica: da bancada à alta tensão, consolidamos a base nacional para liderar a próxima geração da mobilidade elétrica e do armazenamento de energia.”