Resíduos urbanos e de saneamento são transformados em insumos agrícolas pelo Senai Paraná

Notícias18/06/2026
Iniciativa realizada em parceria com a Ecoproducts reforça o potencial da valorização de resíduos como estratégia para uma agricultura mais sustentável
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O que fazer com toneladas de resíduos gerados diariamente por estações de tratamento de água, estações de tratamento de esgoto e pela poda de árvores nas cidades? Um projeto desenvolvido pelo Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química (IST-MAQ), em parceria com a Ecoproducts, aponta uma resposta promissora para esse desafio: transformar esses materiais em biossólidos capazes de contribuir para a fertilidade do solo e apoiar uma agricultura mais sustentável.

A iniciativa teve como objetivo avaliar o potencial agrícola de biossólidos produzidos a partir da combinação de resíduos provenientes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), Estações de Tratamento de Água (ETA) e resíduos de poda urbana. A proposta surgiu da necessidade de encontrar alternativas mais sustentáveis para o gerenciamento desses resíduos, promovendo sua valorização por meio da transformação em insumos agrícolas e reduzindo o volume de materiais destinados ao descarte.

O diferencial da pesquisa esteve na chamada engenharia de blends, estratégia que consiste na combinação planejada de diferentes resíduos para potencializar características agronômicas, nutricionais e físico-químicas dos materiais desenvolvidos. A proposta foi criar um único insumo capaz de fornecer nutrientes, matéria orgânica e benefícios para a estrutura do solo, ampliando seu potencial de aplicação na agricultura.

Para validar a proposta, os pesquisadores realizaram análises laboratoriais e experimentos agronômicos em casa de vegetação utilizando o milho como cultura teste. Os estudos avaliaram o comportamento dos biossólidos em relação ao crescimento das plantas e à qualidade do solo.

Os resultados demonstraram que os resíduos oriundos de ETE apresentaram maiores concentrações de nutrientes essenciais para o desenvolvimento vegetal, como nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio. Já os resíduos de poda urbana destacaram-se pelo elevado teor de carbono orgânico, importante para a melhoria da estrutura e da atividade biológica do solo. Quando combinados em blends, esses materiais apresentaram desempenho agronômico superior ao tratamento controle, promovendo maior crescimento das plantas de milho e melhores indicadores de desenvolvimento vegetal.

Outro aspecto relevante observado pelos pesquisadores foi o impacto positivo na atividade microbiológica do solo. Os tratamentos contendo resíduos de ETE e blends com poda urbana apresentaram maiores índices de respiração basal, indicando aumento da atividade biológica e maior dinamismo nos processos de ciclagem de nutrientes. Os resultados relacionados ao carbono da biomassa microbiana também evidenciaram a contribuição dos biossólidos para a manutenção da saúde do solo.

Eficiência agronômica

A pesquisa também avaliou materiais granulados produzidos a partir de resíduos de ETA. Embora apresentem menores concentrações de nutrientes quando comparados aos resíduos de ETE, os testes mostraram que o processo de granulação favoreceu a disponibilidade de fósforo para as plantas, evidenciando como tecnologias de formulação podem aumentar a eficiência agronômica desses materiais.

Ao final do estudo, os pesquisadores concluíram que os biossólidos produzidos a partir desses resíduos possuem potencial para atuar como condicionadores de solo e fontes complementares de nutrientes para a agricultura. Além dos benefícios agronômicos, a iniciativa reforça os princípios da economia circular ao promover o reaproveitamento de materiais que tradicionalmente seriam descartados, contribuindo para a redução da dependência de insumos convencionais e para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis.