Parque Tecnológico da Indústria destaca no Smart City case de recarga emergencial para veículos elétricos nas estradas

A mobilidade elétrica deixou de ser promessa e passou a ocupar as ruas e as rodovias do país. O crescimento nas vendas de veículos eletrificados no Brasil é consistente, mas a pergunta que ecoou no palco do Smart City Expo foi direta: a infraestrutura está pronta para sustentar essa transformação?
O painel “Comunidade que constrói o futuro da mobilidade”, apresentado pelo Parque Tecnológico da Indústria e mediado por Camila Lima de Oliveira, Líder de Comunidade do Habitat Mobilidade, trouxe para o centro do debate um desafio concreto: como garantir suporte emergencial a um veículo elétrico que fica sem carga em plena rodovia?
A resposta veio em forma de case. Desenvolvido dentro do ecossistema do Parque Tecnológico, o projeto resultou em um sistema com banco de baterias de 50 kWh embarcado em uma van elétrica, capaz de realizar uma recarga emergencial em cerca de dez minutos — o suficiente para que o motorista alcance com segurança o próximo ponto de serviço.
Mais do que um protótipo, trata-se de uma solução pensada para o ambiente real. O desenvolvimento exigiu enfrentar desafios como vibração, peso aproximado de uma tonelada, integração com diferentes modelos de veículos e adoção de protocolos de segurança equivalentes aos de carregadores convencionais. Atualmente, o sistema está em fase avançada de validação em campo, com apoio da concessionária EPR, avaliando desempenho, autonomia da van e compatibilidade com diferentes montadoras.
Acesso a fomento
Para Janio Gabriel, CEO da Nexomobi, a jornada do projeto evidencia a força do ecossistema de inovação. “Se não fosse o Senai, a equipe altamente qualificada, toda a estrutura de suporte e o apoio do Habitat de Mobilidade — dificilmente teríamos conseguido chegar a um produto como este. Existe ali um ecossistema voltado, de fato, ao avanço tecnológico e à inovação, que foi decisivo para o nosso desenvolvimento”, afirmou.
Segundo ele, o investimento superou R$ 1 milhão — um valor expressivo para uma empresa de pequeno porte. “Não dispomos desse montante em caixa para aportar, sozinhos, em uma iniciativa que envolve desafios tecnológicos importantes e riscos inerentes ao processo de inovação”, destacou. Ele reforçou ainda que a infraestrutura disponível no Senai, incluindo laboratórios e dinamômetro para testes veiculares, seria inacessível à empresa sem essa parceria.
Ambiente seguro para inovar
Valério Mendes Marochi, consultor do ISI Eletroquímica, ressaltou que a lógica dos parques tecnológicos é justamente criar um ambiente seguro para inovar. “As conexões que se formam dentro dos parques tecnológicos trazem um elemento fundamental: segurança para inovar. Todos os atores entram conscientes de que o investimento público será aplicado em projetos de risco tecnológico, justamente para ampliar a capacidade do país de desenvolver tecnologia localmente”, afirmou.
Ele também destacou a qualidade da infraestrutura nacional. “Precisamos acreditar no desenvolvimento brasileiro e na nossa competência. Somos capazes de criar soluções de alta relevância, em nível equivalente ao de qualquer ecossistema ou ICT do mundo”, completou.
O caso apresentado no Smart City demonstra que a transição para a mobilidade elétrica não depende apenas de vender mais veículos, mas de construir, de forma colaborativa, as condições para que essa nova realidade funcione com segurança e confiança, especialmente onde o risco é maior: na estrada.