Senai auxilia na elaboração de processos BIM em projeto da torre de controle do Aeroporto de Bacacheri

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Projeto foi viabilizado após parceria da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA) com o Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil
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Quem não atua na área pode não saber, mas a tecnologia Building Information Modeling (BIM) tem sido cada vez mais utilizada em projetos de engenharia no Brasil. Ao oferecer uma simulação do ambiente construído, aliada à simulação de custos e cronograma de execução, o uso dessa tecnologia se torna extremamente vantajoso, pois permite um planejamento mais eficiente da obra. Por isso, muitas empresas e instituições têm procurado consultorias para utilização do BIM em suas operações, como é o caso da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), que recorreu à expertise do Senai no Paraná para implementar o uso da tecnologia em seus projetos. Por meio de uma consultoria do Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil, localizado em Ponta Grossa, teve início o primeiro fruto dessa parceria, com o projeto da nova torre de controle do Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba.

“Apesar de não ser novidade, o uso da tecnologia BIM se tornou mais disseminado recentemente. Como essa é uma área de pesquisa contemplada pelo IST Construção Civil, nada mais justo do que contribuirmos com a transferência desse conhecimento para outras empresas e instituições. A CISCEA, no caso, nos procurou para aprimorar a utilização da tecnologia em seus projetos, sendo que o principal resultado até o momento foi a elaboração do projeto da torre de controle do Aeroporto de Bacacheri”, afirma Fabrício Lopes, gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiep.

De acordo com Carlos Alexandre Dias, chefe do setor de Tecnologia da Construção (ITC) da Divisão de Infraestrutura (DI) da CISCEA, agora que o projeto está em estágio final, o próximo passo será a abertura de edital de licitação para execução da obra. “Provavelmente, até o final deste ano estaremos com o edital aberto, para começar a obra no ano que vem, com duração prevista de 18 meses. Ao longo da construção, continuaremos usufruindo da consultoria do Senai, com acompanhamento e fiscalização da obra. Além disso, a parceria com o IST Construção Civil possibilitou a elaboração de um roadmap com horizonte até 2028, com um plano de implantação da tecnologia BIM em outros projetos”, explica. Para ele, a parceria com o Senai tem sido uma experiência positiva. “Como é um projeto de inovação, vamos aprendendo com o tempo e criando condições para conquistar o objetivo de forma conjunta”, analisa.

Atualmente, o Aeroporto de Bacacheri funciona com uma torre de controle “adaptada”. “É uma edificação que foi transformada em torre de controle, mas não é apropriada para esse propósito. Com a nova torre, pretendemos dar condições para que o trabalho seja feito da melhor maneira. Embora essa seja uma pista que não tem uma quantidade grande de voos, como a dos aeroportos comerciais, o projeto é muito importante porque ali são realizados voos de importância estratégica para a cidade de Curitiba e o Estado do Paraná, como transporte de órgãos para transplante, por exemplo”, afirma Carlos.

Consultoria e elaboração do projeto

A primeira etapa da consultoria do Senai foi a realização de um diagnóstico, com o intuito de mapear os processos existentes e medir a maturidade do setor em relação à tecnologia BIM. Depois disso, deu-se início ao plano de implantação. Ao longo dele, devem ser realizadas três Provas de Conceito: projeto (POC 1), gestão de ativos (POC 2) e obra (POC 3). A primeira delas, já finalizada, teve como objeto o projeto de uma torre de controle para o Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba. “Essa é uma demanda real da Aeronáutica, então todo o processo padrão foi seguido, com levantamentos iniciais e especificação operacional”, explica Júlia Maia, consultora do IST Construção Civil. A segunda POC, referente à utilização de BIM para controle e manutenção da base do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA), que fica junto à torre de controle do Aeroporto Internacional Afonso Pena, está em fase de execução. Já a terceira POC será o acompanhamento da obra de construção da nova torre de controle do Aeroporto de Bacacheri, cujo projeto foi objeto da POC 1.

Para iniciar o trabalho com a CISCEA, foi instituído um grupo denominado Núcleo BIM, composto por um profissional de cada área (Especialista BIM de Arquitetura, Especialista BIM de Estrutura, etc.) e um Coordenador BIM. “A ideia foi desenvolver essas pessoas, por meio da transferência de conhecimento, para que ao fim da consultoria cada um deles fique responsável por repassar os conhecimentos para os demais membros da sua disciplina”, conta Júlia. No início da consultoria, também foi feita a primeira versão do Plano de Execução BIM, documento que concentra informações importantes do projeto, que se difere dos tradicionais, pois leva em conta os modelos produzidos e o fluxo BIM de projeto. Além desse documento, foram elaborados o BIM Mandate, que é um padrão para desenvolvimento de modelos BIM, e o Plano de Implantação. “Quando projetamos em BIM, precisamos levar em conta, tanto a geometria, quanto a informação associada aos elementos. O projeto se torna um banco de dados, que precisa ser organizado, para que não haja excesso ou falta de informação”, complementa a consultora.

O processo tradicional de início de um projeto na Aeronáutica envolve a Organização Militar que traz a demanda (CINDACTA II), o departamento operacional (DO) e o departamento de infraestrutura (DI). No caso da torre de controle do Aeroporto de Bacacheri, o projeto foi elaborado por meio de processos BIM, de forma colaborativa, com suporte do IST Construção Civil. Por isso, foram realizadas algumas reuniões com todos os envolvidos no projeto, para discutir a melhor solução projetual, considerando a utilização de BIM e levando em conta estudos preliminares de todas as disciplinas envolvidas e os departamentos citados acima. Além da geometria do projeto, foram inseridas informações de custo por metro quadrado, demonstrando uma estimativa de custo baseada no modelo. “Realizamos também simulações de implantação, levando-se em conta as restrições do terreno: raio de distanciamento do paiol e cone da pista de pouso e decolagem”, explica a consultora.

Júlia ainda explica que “a consultoria oferecida pelo IST Construção Civil tem como objetivo entender os processos atuais dos clientes para desenhar processos BIM que se adequem as suas realidades, com o objetivo de trazer mais qualidade e otimizar o produto final”. Para ela, o resultado obtido até agora com a consultoria realizada para a CISCEA foi além do esperado e planejado. “Isso nos deixa bastante contentes, pois cumprimos nosso objetivo principal de transferência de conhecimento para a equipe da CISCEA. A partir do momento em que os integrantes do Núcleo BIM obtiveram o conhecimento mínimo, eles passaram a agregar muito ao contrato e tudo foi construído por meio de uma troca entre as duas partes (Senai e CISCEA)”, completa.

Sobre o IST Construção Civil

Além das soluções em Building Information Modeling (BIM), o Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil dispõe de grande infraestrutura para prestação de serviços tecnológicos, para atendimento à exigências normativas e desenvolvimento de novos materiais e sistemas construtivos, bem como consultorias para melhoria de processos, entre outros, promovendo assim maior qualidade e produtividade para a cadeira da Construção Civil. As soluções vão de consultorias tecnológicas, serviços metrológicos e projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.