Tem uma hora, dentro do laboratório, em que tudo para.
Não porque algo deu errado. Pelo contrário. É quando o experimento funciona, quando o que estava só no papel, nas fórmulas, nas equações, aparece de verdade na bancada, diante dos olhos. Uma precipitação que emerge do nada. Uma reação que muda a cor da solução. Areia que, após uma série de transformações físico-químicas invisíveis ao olho cotidiano, se torna vidro.
É nesse instante que o aluno entende para que serve o que está aprendendo.
Ana Caroline Gomes de Faria, 18 anos, sabe exatamente do que estamos falando. Ela está no quarto módulo do Curso Técnico em Química do Senai Colombo e já é estagiária em um laboratório de controle de qualidade de uma empresa de resinas e pigmentos. Entrou no mercado de trabalho antes de terminar o curso. Com 18 anos.
Hoje, 18 de junho, é o Dia do Químico. E é uma boa data para contar como esse caminho começa e para onde ele pode levar.
Um amigo, uma postagem nas redes sociais e uma decisão
A história de Ana não começou com uma vocação declarada desde a infância. Começou com uma mensagem.
Um amigo que estudava no Senai viu uma publicação nas redes sociais da instituição: “nova turma do Técnico em Química, vagas abertas”. Ele sabia que ela gostava da área. Mandou o link. Ana fez a inscrição.
É assim que muitas jornadas começam, não com um chamado épico, mas com uma oportunidade que alguém teve a atenção de enxergar. O que veio depois foi dela.
"O que mais me surpreendeu é que tudo que a gente aprende na teoria, a gente vê como, na prática, tudo se encaixa. A gente vê como funciona na prática."
Essa frase carrega uma verdade que qualquer estudante da área técnica reconhece: existe uma distância enorme entre entender uma fórmula e ver essa fórmula ganhar vida dentro de um frasco. O Curso Técnico em Química do Senai foi construído justamente para fechar essa distância.
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O que acontece dentro do laboratório
William Rogoski é técnico de ensino do curso e, antes disso, foi aluno do Senai. Fez o Técnico em Biotecnologia na própria instituição antes de ingressar na graduação em Engenharia Química. Ele sabe, por experiência própria, o que
"Durante as aulas práticas do laboratório, o aluno entra em contato com situações de aprendizagem que estão relacionadas com a indústria. Os professores são instruídos a levar para o laboratório situações que acontecem na vida real de quem atua na indústria. E o aluno tem que replicar isso na bancada."
Na prática, o que isso significa? Significa que, se a indústria alimentícia precisa quantificar carboidratos, lipídios e proteínas em uma amostra de alimento, é isso que o aluno faz no laboratório. Significa que, ao longo dos quatro semestres do curso, as atividades evoluem: das práticas básicas de separação e pesagem, como misturar água e óleo e observar que não se separam, até sínteses mais avançadas, como a produção de biodiesel ou a síntese do ácido acetilsalicílico, o princípio ativo da aspirina.
O aluno não estuda Química. O aluno faz Química.
E faz com equipamentos reais: pHmetros, balanças analíticas, estufas de secagem, autoclaves para esterilização. A vidraria de laboratório, que parece decorativa para quem está de fora, é uma extensão das mãos de quem trabalha com ela todo dia.
Uma profissão que está em todo lugar, mesmo quando ninguém percebe
A Química tem uma característica curiosa: ela está presente em praticamente tudo que existe no mundo industrializado, mas raramente recebe crédito por isso.
O vidro da janela? Areia transformada. O medicamento que você tomou essa semana? Síntese e formulação. O fertilizante que viabiliza a produção agrícola do Paraná? Processo químico. A tinta da parede, o papel do caderno, o combustível do carro...cada um deles passa, em algum ponto da cadeia produtiva, pelas mãos de um técnico em Química.
"O químico atua principalmente na transformação de matérias-primas em produto final", explica William. "A química é um campo de várias possibilidades: indústria alimentícia, farmacêutica, cosmética, papel e celulose, tintas, mineração, fertilizantes. O aluno pode escolher para qual via ele tem mais habilidade e aptidão."
Essa amplitude é, ao mesmo tempo, uma das maiores vantagens da formação e um desafio para quem está escolhendo o curso: existem tantos caminhos que a decisão pode parecer paralisante. Mas o curso foi pensado para que o aluno conheça a maior variedade possível de aplicações antes de precisar escolher.
Ana, por exemplo, já sabe o que quer. "Eu gosto muito da área de cosmética. Eu gostaria de continuar nessa área e estudar para fazer Farmácia."
Mas antes de chegar à cosmética, ela passou pela Microbiologia e foi essa matéria que a capturou.
"Eu sempre gostei muito da área de Microbiologia porque eu já trabalhava em um lugar que tinha um laboratório de micro. A gente coletou em certos pontos e viu se tinha microrganismo. Abordou bastante a matéria em si."
Saber identificar o que não é visível a olho nu. Saber coletar, analisar, concluir. É esse tipo de raciocínio que a indústria contrata.
Entrar no mercado antes de terminar o curso
Ana tem 18 anos e já está empregada na área. Não é acidente, é uma das possibilidades concretas que o Técnico em Química abre ainda durante a formação.
"O Senai abre diversas oportunidades com você sendo menor de idade, mesmo. A partir do momento que você for de maior, você pode já ingressar na área que você quer."
Essa é uma das diferenças fundamentais entre o ensino técnico e outros percursos formativos: o tempo entre o estudo e a prática é menor. O curso dura dois anos (quatro semestres) e, ao longo desse período, o aluno pode realizar estágios em diferentes setores industriais.
"Ele tem ali uma parte do seu dia focada na indústria, em trabalhar com a realidade. Na outra parte do dia, o aluno vem para a instituição e aprende como acontece tudo na teoria. Então, ao longo do curso, ele pode ter uma via de mão dupla, tanto já atuar na indústria com estágios e também continuar cursando, fazendo as matérias teóricas em paralelo", conta William.
Para quem quer entrar no mercado rápido, seja pelo primeiro emprego, seja pela recolocação, esse modelo é direto ao ponto.
Uma formação que serve de base para o que vem depois
O Técnico em Química não precisa ser o ponto de chegada. Pelo contrário. Ele é o ponto de partida.
William fala com autoridade sobre isso porque viveu esse caminho. Ao terminar o Técnico em Biotecnologia no Senai, ingressou em Engenharia Química. E carregou para a graduação algo valioso: familiaridade com o laboratório.
"Muitas das práticas, dos conteúdos que eu vi no começo da graduação, eu já tinha visto durante o curso técnico. Então ele é um diferencial para quem depois vai continuar os estudos no ensino superior. Ele serve de bagagem para desenvolver essas habilidades em uma graduação."
Essa ideia de degrau, o curso técnico como etapa que prepara para mais, é central para entender o valor da formação profissional. Não se trata de uma escolha menor do que a graduação. Trata-se de um caminho diferente, com vantagens próprias: entrada mais rápida no mercado, formação prática desde o início e uma base técnica sólida que acompanha o aluno em qualquer direção que ele escolha seguir.
O técnico em Química e o futuro que já chegou
Sustentabilidade. Produtos de maior valor agregado. Matérias-primas renováveis. Rotas verdes de produção.
Esses não são temas do futuro, são demandas que a indústria já coloca na mesa. E o Técnico em Química está diretamente no centro dessa conversa.
"O técnico em Química sempre está em ascensão. Ele vai se ajustando nas necessidades atuais, tanto da indústria quanto do mundo como um todo", observa William. "Atualmente se fala muito de sustentabilidade. O técnico em Química pode estar atuando na fabricação, na obtenção de produtos por rota sustentável, por rota verde."
Além da sustentabilidade, o campo de atuação é amplo: controle de qualidade, análises ambientais, certificações como ISO 9001 e 14001, estações de tratamento de água, tratamento de efluentes, pesquisa laboratorial, análises de alimentos e bebidas.
Cada frasco etiquetado, cada laudo emitido, cada processo auditado tem um técnico por trás. Geralmente um técnico que aprendeu na bancada, não só no livro.
O que o Dia do Químico tem a ver com você
Comemorado em 18 de junho, o Dia do Químico celebra uma profissão que existe em silêncio nos bastidores de quase tudo que a sociedade produz e consome.
É uma boa data para fazer uma pergunta simples: você sabe o que há por trás dos produtos que usa todos os dias?
Alguém pesou, mediu, analisou, formulou e garantiu a qualidade do que chegou até você. Alguém passou por uma bancada, olhou para um equipamento e entendeu que a teoria que estudava fazia sentido no mundo real.
Esse alguém pode ter começado exatamente como Ana, com uma mensagem de um amigo, uma inscrição feita no prazo certo, uma prova, e uma decisão de seguir em frente.
Ah, e para você perceber que a química está constantemente em nosso dia a dia, este texto destaca em negrito o símbolo de alguns elementos químicos.
O Curso Técnico em Química do Senai está com vagas abertas. Se você tem curiosidade pela área, ou se conhece alguém que tem, esse pode ser o momento certo para dar o primeiro passo.
Matricule-se agora: www.senaipr.com.br/cursos-tecnicos
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