Antes de escrever as primeiras linhas de código, Roxany Medina precisou reescrever a própria rota.

Ela saiu da Colômbia, chegou ao Brasil, escutou uma língua diferente nas ruas, encontrou novos costumes, novas referências, novos caminhos. Como tantos imigrantes, trouxe na bagagem mais do que documentos, roupas e lembranças: trouxe expectativas.
E uma pergunta silenciosa, dessas que acompanham quem muda de país: por onde começar?

Hoje, no Dia do Imigrante, a história de Roxany ajuda a mostrar como a educação profissional pode ser uma porta de entrada para quem busca não apenas viver em outro lugar, mas construir pertencimento, autonomia e futuro.
Aluna do Curso Técnico de Desenvolvimento de Sistemas no Senai Dr. Celso Charuri, em Curitiba, ela encontrou na tecnologia uma possibilidade concreta de crescimento profissional.
Mas esse caminho não parecia óbvio desde o início.
Uma mudança de país também é uma mudança de horizonte
Roxany é colombiana. Antes de chegar ao Brasil, morou na Colômbia e ouvia comentários positivos sobre o país.

“Eu escutava muitas coisas boas do Brasil, porque era um país muito legal e tal. Então por isso eu decidi vir para cá.”
A imigração, muitas vezes, é narrada apenas pelo deslocamento geográfico. Uma pessoa sai de um país e passa a morar em outro. Mas a experiência real é mais profunda.
Mudar de país é também mudar de referências.
É aprender onde ficam os lugares, como funcionam os serviços, quais oportunidades existem, em quem confiar, que caminhos seguir.
Para Roxany, o Senai ainda não fazia parte desse repertório antes da chegada ao Brasil.
Ela não conhecia a instituição. Também não sabia exatamente como funcionava o ensino técnico. “Mais ou menos, não sabia muito.”
Foi na prática que começou a entender. E, pouco a pouco, uma possibilidade foi ganhando forma.
Quando a tecnologia parecia distante
Roxany escolheu o Curso Técnico de Desenvolvimento de Sistemas porque enxergou na área uma oportunidade profissional.
“Eu acho que é uma área que tem bastante oportunidade de pagar bem.”
A resposta revela algo importante: para muitos estudantes, especialmente aqueles que estão construindo uma vida em um novo país, a escolha de uma formação passa também pela busca por estabilidade.

Tecnologia, programação, sistemas, banco de dados e inteligência artificial deixaram de ser temas restritos a especialistas. Hoje, fazem parte da rotina de indústrias, empresas, comércios, serviços e organizações de diferentes áreas.
Ainda assim, para quem está começando, esse universo pode parecer intimidador.

Roxany também pensou assim: “Eu achava que não era para mim.”
O motivo era simples: parecia difícil.
“Para mim é muito difícil aprender essas coisas muito rápido. Então eu achei que era muita informação, sabe?”

Essa sensação é comum.
A tecnologia costuma chegar ao aluno como uma parede cheia de códigos, comandos, linguagens, sistemas e conceitos novos. No início, tudo parece grande demais. Mas a formação técnica tem justamente esse papel: transformar o desconhecido em caminho. Um passo depois do outro. Uma tarefa depois da outra. Um problema depois do outro.
O incentivo que veio de perto
Nem todo projeto começa com certeza. Às vezes, começa com alguém dizendo: tente.

No caso de Roxany, o incentivo veio da família e das pessoas próximas. “Eles gostam, de fato, eles foram os que me impulsaram a estudar isso.”
O verbo que ela usa é importante: impulsionaram. Em uma trajetória de imigração, o impulso de uma rede de apoio pode fazer diferença. Ajuda a atravessar dúvidas, inseguranças e aquela sensação de não saber se determinado espaço também é para você. No caso dela, isso mudou rapidamente. “Quando eu comecei a estudar, comecei a gostar bastante.”
O que se aprende no Curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas?
O Curso Técnico de Desenvolvimento de Sistemas prepara estudantes para atuar em uma das áreas mais presentes no mercado atual: a criação, manutenção e integração de soluções digitais.
Na prática, o aluno desenvolve competências ligadas à lógica de programação, banco de dados, desenvolvimento de aplicações, organização de sistemas e resolução de problemas por meio da tecnologia.
É uma formação conectada com diferentes possibilidades de carreira.
Quem passa pela área pode atuar com programação, análise de sistemas, desenvolvimento web, banco de dados, suporte técnico, inteligência artificial, ciência de dados.
Para Roxany, o curso também representa uma ponte para os próximos passos: estudar, se profissionalizar e conquistar autonomia.
Hoje, ela ainda trabalha fora da área, dando aulas de inglês para crianças. Mas já começa a construir um novo horizonte profissional.

A reputação que abre portas
Quando Roxany fala sobre estudar no Senai, ela percebe uma reação recorrente nas pessoas. “As pessoas sempre falam muito bem do Senai, sempre ficam surpresas.”

Segundo ela, quem ouve sobre a instituição costuma demonstrar interesse. “Me perguntam sempre como eu comecei a estudar e como eles podem estudar, porque tem uma boa reputação.”
Esse reconhecimento tem peso importante para quem está entrando no mercado. Especialmente para um estudante imigrante, que precisa construir não apenas conhecimento técnico, mas também referências profissionais dentro de um novo país.

A formação passa a funcionar como uma espécie de idioma comum entre aluno e mercado, uma maneira de dizer: eu estou me preparando. Eu conheço a prática. Eu sei fazer.
Professores que ajudam a transformar insegurança em avanço
Ao falar sobre a experiência no curso, Roxany destaca os professores. “Os professores são bem aplicados com a gente.”

Ela também afirma que os técnicos de ensino transmitem segurança e essa presença faz toda a diferença, principalmente em uma área em que o erro faz parte do processo de aprendizagem. Em tecnologia, errar código, testar hipóteses, corrigir comandos e tentar novamente não são falhas do percurso. São o próprio percurso. Porque aprender sistemas é aprender a resolver problemas. E resolver problemas exige método, paciência e orientação.

Para quem começou achando que talvez aquilo não fosse para si, cada tarefa concluída representa uma pequena confirmação: é possível.
Imigrar também é construir futuro
O Dia do Imigrante costuma lembrar histórias de deslocamento, coragem e reconstrução. Mas há uma dimensão que nem sempre aparece com força suficiente: a formação profissional.

Para quem chega a outro país, estudar pode ser uma forma de enraizamento. É pela sala de aula que muitas pessoas conhecem novas redes, compreendem melhor o mercado local, descobrem possibilidades e começam a planejar o futuro com mais clareza.

No caso de Roxany, o Brasil não é apenas o país para onde ela veio. É também o lugar onde ela está se preparando para trabalhar com tecnologia, fazer faculdade e, um dia, atuar no mercado.

A imigração dela não termina na chegada. Continua no laboratório. No banco de dados. Nas tarefas do curso. Nas conversas com os professores. No incentivo da família. Na decisão de continuar mesmo quando parecia difícil.
O futuro também pode ser escrito em outra língua
Talvez toda história de imigração tenha algo em comum com a programação: Nos dois casos, é preciso aprender uma nova linguagem.

No começo, os sinais parecem confusos. As regras não são óbvias. Algumas instruções falham. É preciso revisar, tentar de novo, pedir ajuda, corrigir a rota. Até que, aos poucos, aquilo que parecia indecifrável começa a fazer sentido.

Roxany Medina ainda está construindo sua trajetória. Mas já sabe que quer continuar e transformar aprendizado em autonomia.

No Dia do Imigrante, sua história lembra que mudar de país é também mudar de possibilidades. E que, quando a educação encontra quem tem coragem de começar de novo, o futuro deixa de ser apenas destino. Vira projeto.
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