O equipamento estava parado. Não porque havia quebrado. Não porque era inútil. Mas porque a empresa havia avançado e o que foi moderno ontem já não dava conta do que ela precisava fazer hoje.

É uma cena silenciosa que se repete em galpões industriais por todo o país: máquinas que conheceram anos de produção intensa ficam encostadas depois que o parque fabril se moderniza. Às vezes são vendidas. Às vezes simplesmente aguardam um destino.
A DIAM Brasil, empresa especializada no desenvolvimento, produção e instalação de soluções premium para pontos de venda no segmento de retail beauty e luxo, poderia ter dado qualquer outro fim às suas duas impressoras 3D e às duas máquinas de corte e usinagem Router CNC que se tornaram excedentes após a atualização do seu processo produtivo. Mas a diretora-geral da empresa, Tania Jamus, tinha uma pergunta em mente: como garantir que esses equipamentos continuassem gerando valor?
A resposta veio sob a forma de uma parceria com o Senai Paraná.
Um problema com dois rostos
Há uma contradição que atravessa o setor industrial brasileiro há anos, e ela tem ficado mais visível conforme a tecnologia avança: ao mesmo tempo em que as empresas se modernizam, a escassez de profissionais qualificados para operar essas novas tecnologias cresce. O Relatório Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, projeta que 92 milhões de empregos devem desaparecer até 2030 e que 59 em cada 100 trabalhadores precisarão de requalificação. Não falta trabalho. Falta gente preparada para fazê-lo.

A DIAM Brasil sente esse efeito. "Além desse impacto social, essa parceria vai permitir que a gente qualifique os nossos profissionais, buscando sempre uma melhor produtividade e eficiência", afirma Tania Jamus. A doação dos equipamentos, além de ser um gesto de responsabilidade social, é também uma resposta prática a uma dificuldade que a própria empresa reconhece.

É nesse ponto que a parceria revela sua inteligência: ela age nos dois lados do problema ao mesmo tempo.

O ciclo não se encerra
Quatro equipamentos industriais foram doados para as unidades do Senai em São José dos Pinhais e em Arapongas. Duas impressoras 3D e duas máquinas Router CNC para madeira, tecnologia amplamente utilizada no setor moveleiro, especialmente relevante para a região de Arapongas.

Para o coordenador de Educação do Senai Afonso Pena, Celso Wolski, a chegada dos equipamentos muda concretamente o que é possível fazer dentro da sala de aula. "Os equipamentos vão nos auxiliar nas aulas práticas, principalmente relacionados à impressão 3D, tanto com filamento quanto com resina, e também as máquinas Router 3D, que são utilizadas no campo moveleiro serão muito bem utilizadas. Nós temos uma perspectiva de que os nossos alunos vão ter uma interação com uma tecnologia mais atual e tudo isso proporcionado justamente por essa parceria realizada com a empresa."
Ou seja, as máquinas saem do chão de uma fábrica e entram no laboratório de uma escola técnica. O que antes servia para produzir passa a servir para formar quem vai produzir.
Aprender fazendo
Uma das marcas mais fortes da metodologia Senai é o aprender fazendo. Mas essa premissa só se sustenta quando os ambientes de aprendizagem são capazes de simular, com fidelidade, as condições reais da indústria.

"A DIAM tem uma preocupação muito grande com a sociedade e com os impactos que a empresa gera. Buscamos fazer uma doação que pudesse contribuir de alguma forma com outras pessoas. Desejamos que esse equipamento sirva para qualificar outros profissionais e ajudar a comunidade como um todo", diz Tania Jamus.
Uma parceria de mão dupla e mão estendida
A história não termina com a entrega dos equipamentos. A parceria entre DIAM Brasil e Senai Paraná prevê também que a instituição ofereça cursos em regime de gratuidade para os funcionários da empresa, um componente que transforma o acordo em algo mais circular do que uma doação.

A empresa contribui com tecnologia. O Senai Paraná contribui com formação. Os alunos ganham acesso a equipamentos mais atuais. Os funcionários da DIAM recebem qualificação. A indústria, no médio prazo, ganha profissionais mais preparados. E as comunidades de São José dos Pinhais e Arapongas ganham um ecossistema local de educação e inovação mais robusto.
Essa lógica de troca não é nova para o Senai Paraná. É, na verdade, o modelo que justifica a própria existência da instituição: a indústria se fortalece quando investe na formação de quem vai trabalhar nela. E quanto mais cedo essa conexão se estabelece, mais sólida ela se torna.